segunda-feira, 14 de junho de 2010

Velha infância

São tantas coisas que nos fazem felizes que nem damos valor. Lembro-me de um disco de vinil com canções de roda, era tão bom pular e cantar junto ao som chiado da vitrola... Naquele tempo nada importava tanto como hoje, era apenas lições de casa, estudar piano, flauta-doce, desbravar todo o território com olhos clínicos e curiosos. Como era delicioso fazer o meu sopro se transformar em canções que eu tocava lá no barranco, no meio das árvores. O som que passava pelos buracos na madeira clara se misturava com o canto dos bem-te-vis e das cigarras escandalosas, tudo tinha um cheiro delicioso de grama recém cortada. Quando penso no passado ignoro quase que automaticamente os problemas, eram conflitos que me seguem até hoje, porém me alegro mesmo assim. Hoje, com todos os problemas do dia-a-dia, tento resolver estes conflitos que com certeza um dia transpassariam minha face. O bom é que tenho do que me alegrar. Tenho aqueles gramados e o pomar perfumado, tenho a horta e a biodiversidade que fizeram de mim a pessoa que sou.

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