terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sensação

Não tenho a beleza das cachoeiras ou dos grandes lagos, sou uma pequena poça sem grandes funções. Mal consigo refletir a luz do sol, porcaria suja e resto de lágrimas. Turva de tanta sujeira sou apenas uma poça.
Ontem eu nem existia e amanhã posso secar, futuro incerto este que imagino ter. Ninguém mata a sede comigo, ninguém brinca e ri sentado à minha margem, só passam por mim e riem “pobre poça inútil”.
Agora começo a ser o que vêem e não o que eu sinto ser. Gostaria de crescer e me tornar uma lagoinha, depois um lindo lago... Quem sabe até chego a ser um rio cheio de vida! Quantas lágrimas são necessárias para um mar regado a pesares?
Eu quero muito ser outra coisa, algo maior, mas por enquanto só alguns sapos me olham e mesmo assim é com desprezo. Quem sabe o melhor é esperar pelo calor e sumir novamente, então serei uma maravilhosa nuvem que dança no céu suavemente, pintando a imaginação das pessoas e fazendo companhia aos seres mais livres.