Ali estava eu, sentada no quarto com a luz apagada, a janela aberta é o que clareava sutilmente os meus dedos gelados e minhas costas levemente curvadas. Lá fora o casal de maritacas fazia graça para os outros pássaros, gritavam e faziam pose no fio de luz. A temperatura estava caindo e meus pés começando a ficar tão frios quanto minhas mãos. Alguém estava balançando suavemente na rede e o barulho era rangido e constante.
Enquanto minhas indagações ficavam expostas em frente aos meus olhos, esperava o barulho dos sinos da porta principal. A pequenina chegaria a qualquer momento e eu mal podia esperar pela maratona de risos. Quem diria... Aqueles olhos amendoados e expressivos sabem cativar até mesmo a mais dura alma.
O dia tinha sido cheio de surpresas e por um breve instante nada mais me importou depois de certas palavras, mas quando alertada por minhas idéias mirabolantes, voltei ao estado normal e tudo ficou claro novamente. Nenhuma loucura tem o valor de algo puro, nenhuma canção pode ser mais cativante do que aquela que ouvimos todos os dias.
Então o sol se foi e os pássaros se calaram, as folhas dançavam silenciosamente e os cães não latiam. Tudo permaneceu quieto e sonolento, tudo parou por instantes.
As delícias e dores de morar sozinha no exterior. Longe fisicamente, mas juntinho no coração!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
O sonho bom
Voltamos ao passado naquele momento, foi tudo confuso e apesar do medo, delicioso. As coisas tinham mudado, mas não me importei porque tudo tinha o mesmo cheiro, as mesmas cores. O sol já tinha se deitado e o vento cantava bem baixinho.
No dia seguinte eu vi as sombras dos galhos nus dançando cheios de orvalho, o sol finalmente despertou e os pássaros faziam festa para cativar meus olhos e um som delicioso invadiu a casa... Era o riso de uma criança, que vinha me convidar para mais uma realidade maravilhosa.
No dia seguinte eu vi as sombras dos galhos nus dançando cheios de orvalho, o sol finalmente despertou e os pássaros faziam festa para cativar meus olhos e um som delicioso invadiu a casa... Era o riso de uma criança, que vinha me convidar para mais uma realidade maravilhosa.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Velha infância
São tantas coisas que nos fazem felizes que nem damos valor. Lembro-me de um disco de vinil com canções de roda, era tão bom pular e cantar junto ao som chiado da vitrola... Naquele tempo nada importava tanto como hoje, era apenas lições de casa, estudar piano, flauta-doce, desbravar todo o território com olhos clínicos e curiosos. Como era delicioso fazer o meu sopro se transformar em canções que eu tocava lá no barranco, no meio das árvores. O som que passava pelos buracos na madeira clara se misturava com o canto dos bem-te-vis e das cigarras escandalosas, tudo tinha um cheiro delicioso de grama recém cortada. Quando penso no passado ignoro quase que automaticamente os problemas, eram conflitos que me seguem até hoje, porém me alegro mesmo assim. Hoje, com todos os problemas do dia-a-dia, tento resolver estes conflitos que com certeza um dia transpassariam minha face. O bom é que tenho do que me alegrar. Tenho aqueles gramados e o pomar perfumado, tenho a horta e a biodiversidade que fizeram de mim a pessoa que sou.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Algo para começar...
Inspire, expire, inspire, expire... Ajeite a coluna, levante os braços, feche os olhos por uns três segundos, abra e feche novamente... Agora abaixe os braços, abra os olhos e diga: estou vivo!
Quantas vezes deixamos de fazer isto? Quantas vezes acordamos e já vamos logo encaminhando nossas tarefas sem se quer agradecer a Deus pelo sol? Muitas, inúmeras vezes, se não quase todos os dias. Sem notar vamos passando por cima de detalhes que podiam nos arrancar carinhosamente sorrisos de alegria, poderiam nos fazer “gastar” dois minutos do nosso dia ali, admirando as asas azuis-turquesa da borboleta. Existem coisas mais simples e mais belas do que os problemas que temos e os que queremos ter, existem dias que os pássaros cantam de forma diferente e nós nem notamos... Ficamos nos prendendo a coisas que temos vontade, e bem no fundo, sabemos que não podemos ter. Ficamos nos queixando de coisas ridículas só para nos sentirmos vítimas e nos contentarmos com nosso próprio fracasso. Acomodamo-nos, nos fechamos para a realidade e nem nos damos conta do egoísmo que está dentro de nós, pois existem muitas pessoas que querem nosso bem, que contam com o nosso sorriso, com aquilo que cada um tem de especial... Já nem nos lembramos mais como é fazer caretas na frente do espelho, penteados malucos, rir sozinho, conversar com si mesmo olhando nos olhos... Esquecemos de ser Seres Humanos reais porque nos prendemos em expectativas impossíveis, esquecemos de viver o agora por estarmos sempre presos no minuto seguinte, sendo que ele nem nos pertence! Mais uma prova do nosso egoísmo...
Eu comecei a realmente pensar que existir não era o mesmo que viver quando me perguntaram se eu era feliz; quando foi necessário parar para pensar e balancear rapidamente a minha vida, fiquei preocupada. Notei que eu não sabia a resposta e então estava apenas existindo, não vivendo. Desde então sempre joguei meus defeitos nos ombros de outras pessoas ou então me vesti deles e costurava todos os problemas naqueles trapos. Mas então percebi que aquilo não era nem existir, era desaparecer aos poucos, fio a fio... Tornando-me a cada dia uma pessoa mais distante da vida! Muitas pessoas duvidam da nossa capacidade, sempre vão duvidar de muitas coisas, mas eu estou, aos poucos, aprendendo que enquanto tentamos nos explicar estamos perdendo aqueles dois minutinhos de sorrisos, estamos deixando de respirar fundo, ouvir as batidas do coração, estamos perdendo tempo de nos avaliarmos para nós mesmos e quem nos questiona, está perdendo tempo de se questionar.
Mais um ano chegou e agora cada minuto será como um segundo, por isso precisamos prestar mais atenção nos nossos sonhos, precisamos de sonhos mais humanos, mais reais, o planeta precisa de pessoas que vivam, pois já está cheio de pessoas que existem e que só querem coisas irreais, assim como o dinheiro além que o necessário, a carreira milionária, o carro bonitão... Lá fora, do outro lado do muro, existe miséria absoluta, existem crianças que dariam a comida que nem tem por um livro ou por uma caixa de lápis de cor; enquanto nos estressamos pelo chuveiro que não é tão potente ou porque acabou o shampoo que é melhor pro tipo de cabelo tal, porque o sabonete rosa é melhor que o branco, lá fora tem doenças por falta de saneamento básico, tem famílias se lavando em água de esgoto, bebendo água marrom de terra e doenças! Em um país como o Brasil que sempre teve a fama de clima perfeito, sem furacões ou terremotos, agora também tem estes problemas... A prova que o Fim dos Tempos está próximo é cada dia mais presente, mas ainda assim existem pessoas que só se importam em seguir à carreira que dá mais dinheiro, de ir para as festas mais caras, de comprar os cachorrinhos mais raros, de adquirir, adquirir e adquirir, sendo que não levaremos nada daqui.
Pare um minuto para ouvir o vento, tente interpretar o que ele diz... Não é apenas vento, mas sim a natureza tocando suavemente em seu rosto, assim como tocou outros que pararam para escutar. É um aviso silencioso, um pedido de socorro, para que as pessoas vivam mais! Observe a quantidade de cores em um simples m², é lindo; quantas pessoas gostariam de poder enxergar e nós, que somos perfeitos fisicamente, nem damos valor. Ninguém é perfeito, mas se tem algo digno na vida, é saber apontar os próprios erros sem medo que os outros também os notem. Quando eu escrevo faço meu coração se derramar sob o papel assim como é simples derramar um copo de água, existem mil pontos de vista diferentes, mas eu nunca mostro o que eu escrevo a ninguém. Hoje resolvi escrever e mostrar, pois ando pensando muito na frase “Contagie o mundo com o seu melhor”.
Quantas vezes deixamos de fazer isto? Quantas vezes acordamos e já vamos logo encaminhando nossas tarefas sem se quer agradecer a Deus pelo sol? Muitas, inúmeras vezes, se não quase todos os dias. Sem notar vamos passando por cima de detalhes que podiam nos arrancar carinhosamente sorrisos de alegria, poderiam nos fazer “gastar” dois minutos do nosso dia ali, admirando as asas azuis-turquesa da borboleta. Existem coisas mais simples e mais belas do que os problemas que temos e os que queremos ter, existem dias que os pássaros cantam de forma diferente e nós nem notamos... Ficamos nos prendendo a coisas que temos vontade, e bem no fundo, sabemos que não podemos ter. Ficamos nos queixando de coisas ridículas só para nos sentirmos vítimas e nos contentarmos com nosso próprio fracasso. Acomodamo-nos, nos fechamos para a realidade e nem nos damos conta do egoísmo que está dentro de nós, pois existem muitas pessoas que querem nosso bem, que contam com o nosso sorriso, com aquilo que cada um tem de especial... Já nem nos lembramos mais como é fazer caretas na frente do espelho, penteados malucos, rir sozinho, conversar com si mesmo olhando nos olhos... Esquecemos de ser Seres Humanos reais porque nos prendemos em expectativas impossíveis, esquecemos de viver o agora por estarmos sempre presos no minuto seguinte, sendo que ele nem nos pertence! Mais uma prova do nosso egoísmo...
Eu comecei a realmente pensar que existir não era o mesmo que viver quando me perguntaram se eu era feliz; quando foi necessário parar para pensar e balancear rapidamente a minha vida, fiquei preocupada. Notei que eu não sabia a resposta e então estava apenas existindo, não vivendo. Desde então sempre joguei meus defeitos nos ombros de outras pessoas ou então me vesti deles e costurava todos os problemas naqueles trapos. Mas então percebi que aquilo não era nem existir, era desaparecer aos poucos, fio a fio... Tornando-me a cada dia uma pessoa mais distante da vida! Muitas pessoas duvidam da nossa capacidade, sempre vão duvidar de muitas coisas, mas eu estou, aos poucos, aprendendo que enquanto tentamos nos explicar estamos perdendo aqueles dois minutinhos de sorrisos, estamos deixando de respirar fundo, ouvir as batidas do coração, estamos perdendo tempo de nos avaliarmos para nós mesmos e quem nos questiona, está perdendo tempo de se questionar.
Mais um ano chegou e agora cada minuto será como um segundo, por isso precisamos prestar mais atenção nos nossos sonhos, precisamos de sonhos mais humanos, mais reais, o planeta precisa de pessoas que vivam, pois já está cheio de pessoas que existem e que só querem coisas irreais, assim como o dinheiro além que o necessário, a carreira milionária, o carro bonitão... Lá fora, do outro lado do muro, existe miséria absoluta, existem crianças que dariam a comida que nem tem por um livro ou por uma caixa de lápis de cor; enquanto nos estressamos pelo chuveiro que não é tão potente ou porque acabou o shampoo que é melhor pro tipo de cabelo tal, porque o sabonete rosa é melhor que o branco, lá fora tem doenças por falta de saneamento básico, tem famílias se lavando em água de esgoto, bebendo água marrom de terra e doenças! Em um país como o Brasil que sempre teve a fama de clima perfeito, sem furacões ou terremotos, agora também tem estes problemas... A prova que o Fim dos Tempos está próximo é cada dia mais presente, mas ainda assim existem pessoas que só se importam em seguir à carreira que dá mais dinheiro, de ir para as festas mais caras, de comprar os cachorrinhos mais raros, de adquirir, adquirir e adquirir, sendo que não levaremos nada daqui.
Pare um minuto para ouvir o vento, tente interpretar o que ele diz... Não é apenas vento, mas sim a natureza tocando suavemente em seu rosto, assim como tocou outros que pararam para escutar. É um aviso silencioso, um pedido de socorro, para que as pessoas vivam mais! Observe a quantidade de cores em um simples m², é lindo; quantas pessoas gostariam de poder enxergar e nós, que somos perfeitos fisicamente, nem damos valor. Ninguém é perfeito, mas se tem algo digno na vida, é saber apontar os próprios erros sem medo que os outros também os notem. Quando eu escrevo faço meu coração se derramar sob o papel assim como é simples derramar um copo de água, existem mil pontos de vista diferentes, mas eu nunca mostro o que eu escrevo a ninguém. Hoje resolvi escrever e mostrar, pois ando pensando muito na frase “Contagie o mundo com o seu melhor”.
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