Ali estava eu, sentada no quarto com a luz apagada, a janela aberta é o que clareava sutilmente os meus dedos gelados e minhas costas levemente curvadas. Lá fora o casal de maritacas fazia graça para os outros pássaros, gritavam e faziam pose no fio de luz. A temperatura estava caindo e meus pés começando a ficar tão frios quanto minhas mãos. Alguém estava balançando suavemente na rede e o barulho era rangido e constante.
Enquanto minhas indagações ficavam expostas em frente aos meus olhos, esperava o barulho dos sinos da porta principal. A pequenina chegaria a qualquer momento e eu mal podia esperar pela maratona de risos. Quem diria... Aqueles olhos amendoados e expressivos sabem cativar até mesmo a mais dura alma.
O dia tinha sido cheio de surpresas e por um breve instante nada mais me importou depois de certas palavras, mas quando alertada por minhas idéias mirabolantes, voltei ao estado normal e tudo ficou claro novamente. Nenhuma loucura tem o valor de algo puro, nenhuma canção pode ser mais cativante do que aquela que ouvimos todos os dias.
Então o sol se foi e os pássaros se calaram, as folhas dançavam silenciosamente e os cães não latiam. Tudo permaneceu quieto e sonolento, tudo parou por instantes.
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